Bolsa não é roupa. A classe que protege o que a gente carrega é diferente da que protege o que a gente veste, e essa confusão custa caro.
Uma marca de bolsas artesanais nasce em um ateliê pequeno. Depois de um tempo, alguém orienta: "registra na 25, que é moda". O pedido sai, a taxa é paga, o certificado chega. Na cabeça de quem criou a marca, o nome está protegido.
Mas bolsa não é vestuário. É classe 18 (junto com malas, carteiras, mochilas, artigos de couro e até coleira de cachorro). A classe 25 cobre roupa e calçado. A 18 cobre o que carrega as coisas, não o que veste o corpo.
Meses depois, uma concorrente com nome parecido aparece vendendo o mesmo tipo de bolsa. Ela tinha percebido o furo: a classe certa (a 18) estava livre. Protocolou primeiro. E agora é ela quem tem prioridade sobre o nome, no produto que de fato importava.
O que a classe 18 protege
Em uma linha: artigos de couro, imitação de couro e os objetos que a gente carrega. No detalhe, ela cobre:
- Bolsas, mochilas e carteiras: de mão, de viagem, escolares, de praia, porta-cartão, porta-moedas.
- Malas e artigos de viagem: malas com rodinhas, valises, baús, nécessaires, etiquetas de bagagem.
- Couro e matéria-prima: couro curtido, couro sintético, couro vegano, peles.
- Selaria e equipamentos para animais: arreios, rédeas, selas, coleiras, guias, roupas para pet.
- Acessórios diversos: guarda-chuvas, guarda-sóis, bengalas, chicotes.
A pegadinha mora na palavra bolsa: qualquer bolsa entra na 18, seja de couro, tecido ou material sintético. O que muda a classe não é o material (é a função do objeto).
Quem normalmente mora na 18
- Marcas de bolsas, mochilas e carteiras, artesanais ou industriais.
- Fabricantes de malas e artigos de viagem.
- Selarias e lojas de equipamento equestre: arreios, rédeas, acessórios para cavalo.
- Marcas pet que fazem coleiras, guias e roupas para animais.
- Fabricantes de guarda-chuvas e bengalas.
O erro que mais custa caro: achar que é vestuário
"Minha marca vende bolsa, então deve ser moda, é classe 25." É esse raciocínio que leva o pedido para a classe errada.
Roupa e calçado moram na 25. Bolsa, mala e carteira moram na 18 (mesmo vendidas ao lado de roupa, na mesma loja, na mesma vitrine). São classes diferentes porque protegem produtos diferentes, não porque protegem "o mesmo nicho de moda".
Quem fabrica e vende os próprios artigos de couro fica na 18. Quem opera uma loja que revende peças de várias marcas (bolsa, roupa, calçado) soma por cima a classe 35, que cobre a atividade de comércio. Uma coisa não substitui a outra.
Esse erro raramente aparece na hora do protocolo. Aparece meses depois, quando uma marca parecida com o produto certo na classe certa já está no mercado, e a prioridade é dela.
Como saber se a 18 é a classe da sua marca
Depende do que a marca de fato fabrica ou vende, e de para onde o negócio quer crescer. Uma marca de bolsas que pensa em expandir para roupa, por exemplo, pode precisar de mais de uma classe desde já.
Antes de qualquer protocolo, existe uma pergunta anterior: já tem alguém parecido demais registrado na 18 ou nas classes vizinhas? É isso que a busca de anterioridade e o laudo de viabilidade respondem, antes de qualquer real gasto num pedido fadado a esbarrar em quem já registrou.

